quarta-feira, 1 de abril de 2015

Cuidados extras ao manipular e cozinhar o amigo frango!!!



Oi pessoal!

Hoje, o post será dedicado ao tema: Motivos para não se lavar o frango.

Eu já estava com a intenção de direcionar um post para este tema, que eu havia comentado em um post antigo e o que me impulsionou foi uma notícia divulgada este mês, que uma irlandesa ficou paralisada do pescoço até os dedos dos pés depois de adoecer por ter consumido um frango que estava contaminado com Campylobacter.

Sandra Loftus, de Kinsealy, Dublin, contraiu a campilobacteriose, que é uma gastroenterite bacteriana. E, em decorrência da campilobacteriose, ela desenvolveu a Síndrome de Guillain-Barre, que é uma consequência rara da doença e altamente debilitante do sistema nervoso

De acordo com pesquisadores da Irlanda, 98,3% dos frangos vendidos no país possuem esta bactéria. E uma em 100 pessoas que são infectadas por Campylobacter desenvolvem a Síndrome de Guillain-Barré.

Mas como aconteceu isso, gente?! Vamos lá!

Sandra preparou um jantar familiar inocente, com um frango frito à moda chinesa. Os primeiros sintomas foram diarreia, náusea e dor de estômago. Mas em 4 dias, Sandra começou a ficar muito debilitada, apresentando o quadro de paralisia, onde ela não conseguia mover um único músculo do pescoço aos pés. Ela ficou cerca de 3 meses em tratamento intensivo e mais 9 meses em reabilitação. Felizmente, Sandra conseguiu se recuperar, mas pensou que iria morrer, principalmente depois que soube que cerca de 25% das pessoas que contraem a Síndrome de Guillain-Barré acabam por falecer.

Mas ela fritou o frango ué?! Fogo não mata tudo?

Depende!
O frango e qualquer alimento submetido à cocção devem atingir temperaturas superiores a 74°C na sua porção mais interna e o fato da Sandra ter fritado o frango, não significa que alcançou a temperatura de segurança (74°C) no interior da peça ou Sandra pode ter se contaminado antes mesmo da cocção do frango. Eu explico mais adiante...

Outra informação importante é que essas bactérias são termófilas, ou seja, são capazes de se multiplicar em temperatura mínima de 30°C e máxima de 46°C. Portanto, uma aquecidinha boba não resolve nada! Outro fato é que elas podem sobreviver em alimentos congelados!!! Então o frango congelado não está isento de conter Campylobacter!!! Atenção!!!

Então por que não lavar o frango?

Ao lavar o frango, geramos microgotículas que facilmente se espalham por toda a superfície ao redor da pia. Dessa forma, todo utensílio, superfícies (ex: tábua de corte) e/ou alimento (ex: vegetal higienizado pronto para ser consumido) que por ali estiver e que não for rigorosamente descontaminado, será um foco importante de contaminação.

O manuseio do frango cru ou mal cozido também é um importante fator de contaminação, pois após o manuseio, se as mãos do manipulador não forem muito bem lavadas, a contaminação vai acontecer! Sandra pode ter se contaminado assim! Deu aquela provada no tempero do frango cru. Uiiiii!!!! kkkk Ou não, né? Muito provavelmente foi pela ingestão mesmo do frango que não devia estar muito bem cozido por dentro.
Percebam que por onde o frango ou a aguinha do frango entrar em contato, haverá ali muuuuitas bactérias!!!
E um fator extremamente importante é que: baixíssimas quantidades de Campylobacter (500 UFCs) são suficientes para causar a colonização e a infecção humana.

Essa figura demonstra bem como ocorre a contaminação se colocássemos uma espécie de lupa ao lavar o frango. Percebam que a contaminação está evidenciada em verde no Germ-vision:


Por isso, mais uma vez: Não lave o diacho do frango!!!


Como o frango adquire esta bactéria?! Ele não adoece?!

Geralmente, não. A infecção das aves pelo Campylobacter não aparenta sinais clínicos e por isso é difícil identificar o problema nas granjas. A contaminação ocorre através do ambiente, incluindo água, lotes de aves com idade avançada, animais domésticos, roedores, insetos, funcionários, equipamentos e veículos.

Mas Campylobacter causa mais doenças do que a Salmonella? Nunca ouvi falar dessa bactéria!

Nos países desenvolvidos, onde há uma notificação de casos mais presente, Campylobacter é o maior causador de diarreias causadas por bactérias, mais do que Salmonella spp. Aqui no Brasil, infelizmente, carecemos de dados nesse sentido, pode ser por isso que ela é pouco falada por aqui.
A campilobacteriose ocorre em casos isolados e a salmonelose é mais comum em surtos, isso também ajuda na má fama da Salmonella!
E você achando que a Salmonella era a top hein!


Mas como ocorre a doença?

A campilobacteriose ocorre através da ingestão de água e alimentos contaminados, como carnes mal cozidas, ou contaminação cruzada no preparo de alimentos (já expliquei anteriormente).
Os principais sintomas são diarreia, frequentemente hemorrágica, dor abdominal, febre, dor de cabeça, náuseas e/ou vômitos.
A doença geralmente se cura naturalmente em cerca de 7 dias, excluindo-se a necessidade de antibioticoterapia. Mas, há casos onde ela se faz necessária.
Complicações graves da doença, embora raras, incluem a Síndrome de Guillán Barré, artrite reativa, síndrome urêmico-hemolítico e septicemia.

Como prevenir?!

Não lave o frango!!!
Sempre lave muito bem as mãos após manusear frango cru ou não completamente cozido
Sempre lave muito bem e desinfete os utensílios que entraram em contato com o frango cru e não completamente cozido.
Dica: Lavar utensílios com água e sabão, enxaguar bem e imergi-los em água fervente por 15 minutos (o que puder ser fervido, óbvio!); os que não podem ser fervidos devem ser imersos em solução de hipoclorito de sódio (10 mL de água sanitária + 1L de água)
Procure verificar a temperatura interna de peças mais robustas com um termômetro de alimentos.
Dica: O termômetro tipo vareta é o mais recomendado para se medir a temperatura dentro de alimentos e também em bebidas, eles medem de –50°C a 300°C


Fontes:
http://newsblog.drexel.edu/2013/08/27/dont-wash-your-chicken-whats-the-cluck/
FORSYTHE, S.J. Microbiologia da Segurança dos Alimentos, 2.ed., Porto Alegre: ARTMED, 2013. 607p.
Silva Jr., E.A. Manual de controle higiênico-sanitário em serviços de alimentação. 7. ed. São Paulo: Livraria Varela, 694p., 2014

terça-feira, 17 de março de 2015

Como higienizar os vegetais


Oi pessoal!

Hoje vamos falar sobre dicas de como higienizar os vegetais.

Os vegetais são alimentos muito importantes na nossa dieta, pois apresenta nutrientes e substâncias não-nutritivas ou substâncias bioativas, que atuam na manutenção da saúde e na prevenção de doenças

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda, no mínimo, 400g de vegetais por dia, entre hortaliças e frutas, para que haja a prevenção de doenças crônicas

Cada fruta ou hortaliça tem um grupo de vitaminas e substâncias bioativas diferentes. Quanto mais variado e colorido, mais nutrientes e substâncias funcionais estaremos consumindo. No entanto, para preservar melhor as substâncias nutritivas e bioativas dos vegetais, é importante que esses alimentos sejam consumidos frescos e crus ou cozidos por pouco tempo

O vegetal alberga em sua superfície organismos do seu ambiente natural de cultivo. Vírus, bactérias, protozoários e ovos de helmintos (vermes) podem ser encontrados nos vegetais, naturalmente. Mas, alguns desses organismos podem causar doenças no homem, variando de brandas a extremamente debilitantes, em função de fatores como quantidade do agente ingerida (dose infectante), tipo de agente, estado de higidez e estado nutricional do indivíduo, presença de doenças crônicas ou imunossupressoras, etc. Essas doenças, de uma forma geral, são caracterizadas por sintomas como diarreia, vômitos, dores abdominais, letargia e perda de apetite.

Para que possamos preservar a qualidade nutricional dos vegetais e preservar a nossa saúde, é importante que tomemos algumas medidas de higiene antes de consumí-los.

Vamos lá então! Esse esqueminha descomplicado explica direitinho o passo-a-passo da lavagem e desinfecção:



Então, a sequência é a seguinte:

1- Lavar folha a folha em água corrente;

2- Imergir as folhas pré-lavadas em solução de hipoclorito (água sanitária): 1 colher de sopa de hipoclorito (água sanitária) para cada 1 litro de água;

3- Reservar e aguardar de 15 a 20 minutos;
 
4- Enxaguar as folhas em água corrente;

5- Drenar a água, centrifugar ou secar as folhas;

É muito importante armazenar as folhas somente depois de beeeem secas, pois caso contrário, a durabilidade do vegetal será pequena! Dá trabalho, gente! Mas dura mesmo!!!

Pode usar vinagre ao invés do hipoclorito? Pode!
Pode também usar vinagre, além do hipoclorito? Pode!

Para desinfecção com vinagre, você deve utilizar 200mL de vinagre para cada 1 litro de água. Acaba ficando mais caro para desinfetar do que se você utilizar o hipoclorito, que é bem mais barato e é tão eficiente quanto.

Espero que tenha ajudado!

Até a próxima!!!

Imagem e consultas:

http://www.marmifitness.com.br/page_19.html

http://www.sitedanutricao.com.br/p/guia-nutricional.html

Resolução RDC nº 218, de 29 de julho de 2005 - Dispõe sobre o Regulamento Técnico de Procedimentos Higiênico-Sanitários para Manipulação de Alimentos e Bebidas Preparados com Vegetais

Manual de controle higiênico-sanitário em serviços de alimentação. Eneo Alves da Silva Jr. 7. ed. São Paulo: Livraria Varela, 694p., 2014

quinta-feira, 12 de março de 2015

Ainda sobre o post anterior!

Oi pessoal!!!

Ainda sobre o post anterior, duas observações:

Acabei esquecendo de incluir o link da notícia do Estadão. Agora vai:

Frango medicado com antibiótico pode não virar mais hambúrguer no McDonald’s




Além disso, tive um bizu muito legal de um amigo e parceiro científico sobre uma interpretação que ele teve, que foi diferente da minha. 

Sobre a afirmação do vice-presidente: “Os animais que ficarem doentes continuarão sendo tratados com antibióticos, mas que depois do tratamento não serão incluídos no fornecimento para comida”

Como não foi especificado o tempo, eu interpretei que os animais que necessitarem de tratamento com antibióticos, serão tratados e logo em seguida, não serão destinados ao mercado consumidor. O que nos parece óbvio pois caso contrário, o consumidor estaria consumindo um produto com elevados níveis de resíduos, pois não haveria respeito ao período de depleção do medicamento nos tecidos comestíveis da ave.

O meu amigo Felipe Faccini interpretou que os animais que necessitarem de tratamento com antibióticos, serão tratados e não serão destinados ao mercado consumidor em nenhum momento após isto. 

É! Faz todo o sentido!!! Valeu Felipe!!!

Até a próxima!!!

segunda-feira, 9 de março de 2015

Frango com antibióticos do McDonald's



Olá pessoal!

Andei sumida do blog, néam?!

Mas uma notícia essa semana me motivou a falar sobre um assunto muuuuito importante:

Bom, no dia 06/03/2015, no Facebook, eu li uma chamada de notícia do Estadão que dizia: “Frango que ficou doente não poderá mais virar hambúrguer ou nugget no McDonald's...”. A chamada bizarra motivou alguns seguidores da página do Estadão no Facebook com comentários de espanto, obviamente. A grande maioria daqueles que comentaram, perguntavam-se, em tom de grande espanto: - E antes podia??????

Essas chamadas de notícia chamam a atenção para a notícia, é claro! o que não quer dizer que isso vai acontecer. A galera que comentou não se deu ao trabalho de ler a matéria ou tem algum problema de compreensão. Mas foi a maioria!!! É, ninguém leu nada mesmo! A dita matéria, na verdade, intitulava-se: “Frango medicado com antibiótico pode não virar mais hambúrguer no McDonald's”.

Então vamos falar sobre antibióticos em frangos!!!

Ah! Isso tudo é puro marketing tá! Oi?!

Calma! Vamos por partes. Transcrevo aqui alguns trechos da notícia:

A notícia diz que o McDonald's anunciou que “as aves não serão mais tratadas com antibióticos importantes para humanos nos próximos dois anos para não prejudicar a eficácia do medicamento no homem”.

O vice-presidente sênior da rede afirmou que: “Os animais que ficarem doentes continuarão sendo tratados com antibióticos, mas que depois do tratamento não serão incluídos no fornecimento para comida”

“Preocupada com concorrência das chamadas redes de fast-casual, que oferecem opções mais saudáveis de alimentos e serviços mais sofisticados, o McDonald's inaugurou em janeiro na Austrália, o Mccafé experimental, com identidade visual e cardápios diferentes dos tradicionais”

Agora, vamos às explicações:

Primeiro ponto: sobre a afirmação “as aves não serão mais tratadas com antibióticos importantes para humanos nos próximos dois anos para não prejudicar a eficácia do medicamento no homem”.

Há algumas décadas, esse assunto motiva diálogos entre as mais poderosas economias mundiais, no intuito de, entre outras coisas, criar normas internacionais quanto ao uso de antibióticos, principalmente àqueles que são empregados tanto na medicina veterinária, no tratamento de lotes de frangos, quanto na medicina humana. Não é nenhuma novidade!

Os grupos: fluoroquinolonas, cefalosporinas de terceira e quarta gerações, macrolídeos e glicopeptídeos foram classificados como de prioridade máxima quanto ao gerenciamento de riscos e estratégias para controlar a resistência bacteriana. Pode usar?! Pode, mas somente se não houver nenhum antibiótico substituinte capaz de tratar a doença e sob rígidas condições de uso que garantam que não haverá riscos à saúde do consumidor. Quais riscos?: Ingerir resíduos de antibióticos ou adquirir um produto contaminado com bactérias patogênicas resistentes a antibióticos que também são utilizados pelo homem.

Então, ok! Vão suspender o uso de antibióticos que também são de uso humano (por exemplo: as fluoroquinolonas) por 2 anos para não prejudicar a eficácia do medicamento no homem. 

Ora, bastava respeitar as boas práticas no uso de medicamentos veterinários. Cuma?! Tratar as aves de uma forma responsável, ética e técnica, ou seja, com manejo nutricional adequado, biossegurança, escolha do antibiótico mais adequado à doença e caso seja extremamente necessário, e adequado ao grupo etário das aves, ajuste à dose correta e administração de forma segura, sem superdosagens nem subdosagens e sem contaminação ambiental, e respeito ao período de carência do medicamento, entre outros detalhes.
Os caras falam como se esta fosse a única solução para não prejudicar a eficácia do tratamento com o medicamento no homem, mas ok! Chamou a atenção! Valeu! Marketing!

Segundo ponto:

O vice-presidente afirmou que: “Os animais que ficarem doentes continuarão sendo tratados com antibióticos, mas que depois do tratamento não serão incluídos no fornecimento para comida”

Me parece óbvio, caros leitores!

Dentro das boas práticas no uso de medicamentos veterinários, inclui-se o respeito ao período de carência. 

Mas o que seria isto? Então, o período de carência é o intervalo de tempo que deve ser dado após o período de tratamento com antibióticos. Neste período, as aves não devem ser destinadas ao abate, nem seus produtos podem ser utilizados para consumo, por exemplo: ovos. Neste período após o tratamento com antibiótico, há uma deposição natural de resíduos do antibiótico na carne, miúdos e ovos (no caso de galinhas poedeiras). Todo medicamento de uso veterinário para aves detalha em sua bula, o período de carência que deve ser seguido para destinar as aves ao abate e para o consumo de ovos, no caso de galinhas poedeiras.
Então, ele não disse nenhuma novidade! Próximo!

Terceiro ponto:

“Preocupada com concorrência das chamadas redes de fast-casual, que oferecem opções mais saudáveis de alimentos e serviços mais sofisticados, o McDonald's inaugurou em janeiro na Austrália, o Mccafé experimental, com identidade visual e cardápios diferentes dos tradicionais”

O CEO do McDonald's está tentando melhorar a reputação do Mc de "junk food", ou seja, de "comida prejudicial à saúde" ou "comida que engorda horrores", diante de uma crescente concorrência de estabelecimentos ditos saudáveis e, claro, diante da procura do mercado consumidor por alternativas menos "junk". Assim, faz sentido toda esse esforço de se mostrar saudável. 

Que assim seja!!!

A notícia lá fora foi mais ou menos assim:
  
McDonald's new CEO faces onslaught of competition

Onde?: http://www.dailymail.co.uk/wires/ap/article-2932115/McDonalds-new-CEO-faces-onslaught-competition.html

McDonald's new CEO has a modern strategy to fix the brand




Aqui no Brasil, me chamou a atenção esta matéria do InfoMoney sobre o assunto, que está muito interessante, vejam:
Por que o plano de reviravolta do McDonald’s não está funcionando? - InfoMoney
Veja mais em: http://www.infomoney.com.br/bloomberg/mercados/noticia/3909234/por-que-plano-reviravolta-mcdonald-nao-esta-funcionando
Por que o plano de reviravolta do McDonald’s não está funcionando? - InfoMoney
Veja mais em: http://www.infomoney.com.br/bloomberg/mercados/noticia/3909234/por-que-plano-reviravolta-mcdonald-nao-esta-funcionando

Por que o plano de reviravolta do McDonald's não está funcionando?

Por que o plano de reviravolta do McDonald’s não está funcionando? - InfoMoney
Veja mais em: http://www.infomoney.com.br/bloomberg/mercados/noticia/3909234/por-que-plano-reviravolta-mcdonald-nao-esta-funcionando
Onde?: http://www.infomoney.com.br/bloomberg/mercados/noticia/3909234/por-que-plano-reviravolta-mcdonald-nao-esta-funcionando


Aaaah! Não acabou!!!

E aí, ainda no Facebook, vejo a Korin indo de carona na notícia do Mc com a seguinte chamada: 



Por que o McDonald’s quer frangos como o da brasileira Korin?


Onde?: http://www.korin.com.br/blog/por-que-o-mcdonalds-quer-frangos-como-o-da-brasileira-korin/

Marketing again!!! Eles não podiam perder essa né?! 


Valeu também, Korin!!! Tem que vender o peixe, né?! Ops! Frango!!!

Bom, espero que tenham compreendido.

Até mais!!!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Verão x Calorzão x Gastroenterites

Olá!

Tudo bem com vocês?!

Bom, depois de taaaanto tempo sem escrever aqui - quase um ano! Ui!  - cá estou eu :)

E pra iniciar as postagens de de 2015 - Feliz 2015 a todos nós!!! - eu tenho uma novidade: mudei o nome do blog! Antes era Blogando Ciências e eu na época estava com uma ideia de fazer um blog mais geral, mas não empolgou! Então eu tive a ideia de atrelar os alimentos ao nome do blog e assim ficou: Blogando Alimentos! Eu achei bem interessante e tem muito mais a ver comigo.

A primeira postagem da nossa nova roupagem "alimentos" é sobre um post que eu publiquei na minha página do Facebook e houve grande repercussão, pois trata-se dos cuidados que devemos ter quanto à alimentação nesse verão de rachar, literalmente falando! 

Aqui eu falarei com mais detalhes. Bora lá!:

Estamos no final de janeiro e a sensação térmica aqui no Rio de Janeiro hoje está em torno de 50°C, sem exagerar! E este calorão acompanhou janeiro inteiro e o pior, não chove :)

A situação está muito preocupante aqui, especialmente nas regiões Sudeste e Nordeste do país e as autoridades já falam sobre racionamento de energia, caso a seca nos reservatórios que suprem as hidrelétricas continue. Só rezando pra chover, viu!!!

Bom, mas o assunto não é o clima, mas tem a ver com ele, pois os microrganismos que se nutrem dos mesmos alimentos que nós consumimos podem se beneficiar e muito, das condições climáticas, se não tomarmos especiais cuidados nessa época.

Alguns pequenos cuidados alimentares devem ser tomados para que as crianças e nós também não soframos com gastroenterites, que muitas vezes podem se agravar e até mesmo serem fatais! 

Quais seriam estes cuidados?:

A água das piscinas podem albergar vírus, como os norovirus, e bactérias, como as enterobactérias patogênicas, caso não esteja devidamente tratada - e nessa época, sabemos que as piscinas de clubes andam lotadas e aí não há tratamento microbicida que aguente tanta matéria orgânica na água né?! Os riscos de adquirir gastroenterites virais, como norovírus, rotavírus e hepatite A são bem grandes, especialmente entre as crianças. O cuidado deve ser redobrado, pois essas doenças levam a uma desidratação muitas vezes severa e em alguns casos, fatais!

Após o preparo de alimentos, quentes ou frios, não deixá-los longos períodos à temperatura ambiente. O ideal é levá-los o mais rápido possível à refrigeração. Esse tempo que os alimentos ficam expostos à esse calorão é suficiente para que bactérias se multipliquem e produzam toxinas. Fiquem de olho em restaurantes, na medida do possível. Um exemplo clássico é aquela salada de maionese super manipulada que fica exposta durante o todo o churrasco ou aquele arroz que você "requenta" toda vez que vai consumir e a sobra fica esfriando à temperatura ambiente.

Mas em quanto tempo eu devo levá-los à refrigeração, Raquel?! Bom, os órgãos internacionais, como FAO e OMS recomendam que após a cocção, os alimentos devem ser levados à refrigeração assim que atingirem pelo menos 55°C em sua superfície. Difícil saber né?! A não ser que você tenha um termômetro para alimentos. Eu coloco a mão sobre a embalagem, se ainda estiver quente, mas suportável, não "pelando" nem temperatura de mamadeira, eu coloco na geladeira. Mas e a luz?! Você escolhe: ou a conta de luz ou a gastroenterite. Bom, o que importa é que após a cocção, os alimentos devem ser refrigerados rapidamente de 55°C para 21°C em 2 horas e de 21°C para 4°C em 6 horas. Para isto é importante que o recipiente não tenha mais do que 10cm de altura, caso contrário, a temperatura não será uniforme em todo o alimento neste período de resfriamento e você dará chances ao crescimento de microrganismos. E é fundamental que a geladeira não esteja abarrotada de alimentos, senão o ar frio não circula e o alimento não será resfriado.

Outra dica é que ao reaquecer os alimentos, é fundamental que, no ponto mais interno (ponto mais frio do alimento), alcance a temperatura de 74°C. E evitar reaquecimentos repetidos com espera longa à temperatura ambiente pós-cocção, pelo mesmo motivo comentado anteriormente.

Sacolé?! Quem não gosta?! Eu amo! Mas de origem desconhecida?! Nem de graça! Quer sacolé, faça o seu! Vai dar ao seu filho, faça o seu pelo amor que você tem a ele!!! Bactérias, como Escherichia coli patogênicas, Shigella e Listeria monocytogenes podem estar no alimento e quando encontram uma oportunidade de se multiplicar no organismo do comensal, causam doenças em você ou no seu filho! 

Água sempre de boa qualidade! Não compre água mineral de ambulantes na rua. Muitas vezes, essas pessoas, de má fé, reaproveitam garrafas sem a menor higiene e colocam água sabe-se Deus de onde!
Prefira comprar em lojas, padarias, etc.

Vai comer em quiosques na praia? Muito cuidado! Muitos não tem nem banheiro!!! É verdade! Como os funcionários se viram?! O seu peixe vai vir com um brinde não muito agradável! E nessas condições, Escherichia coli, Salmonella Tiphy, Shigella, Vibrios, vírus da hepatite A, norovírus e por aí vai!

Não tem muito a ver com o assunto, mas não dê mel a crianças menores de 1 ano. Mas por quê?! Por causa do botulismo infantil. Antes de 1 ano de vida, os bebês ainda não têm proteção intestinal, ou seja, o intestino ainda não está completamente "povoado" por bactérias da flora natural, que atuam de modo a defender o nosso organismo. Assim, ao ingerir esporos de Clostridium botulinum, estes germinam e produzem a toxina no intestino do bebê, que é então absorvida e causa a doença, que pode ser fatal!

Ah! Não lave o frango! Por quê?!: Principalmente para prevenção da campilobacteriose. Campylobacter jejuni é uma bactéria responsável pela maioria dos casos de gastroenterites nos EUA. Aqui no Brasil, não temos muitos dados sobre a prevalência de casos, mas é importante ter em mente que boa parte da carne de frango comercializada pode estar contaminada por esta bactéria, devido à elevada prevalência entre frangos de corte. Ao lavar o frango, geramos micro-gotículas super contaminadas que se espalham facilmente por todos os lados. Então, se houver uma faca, uma tábua de corte, uma alface já higienizada e/ou outros utensílios que não serão lavados nem desinfetados após isto, correremos um grande risco de nos contaminar. E basta uma dose bem pequena desta bactéria pra ela causar a doença no homem. 
Crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e imunocomprometidos são mais sensíveis e podem adquirir a doença, até mesmo de uma forma mais grave. Isto vale para qualquer doença transmitida por alimento, ok?! Fica a dica!!!

Por falar em forma grave, a campilobacteriose pode evoluir para uma forma mais grave, porém rara, que se caracteriza por uma doença neuro-degenerativa, chamada Síndrome de Guillain-Barré!

Lembrando sempre dos cuidados antes de manipular alimentos! A maioria dos surtos de gastroenterites ocorre no ambiente domiciliar!!! Quais cuidados?! Num próximo post, eu falo sobre eles ;)

Até mais!!!

Obra consultada: Manual de controle higiênico-sanitário em serviços de alimentação. Eneo Alves da Silva Jr. 7. ed. São Paulo: Livraria Varela, 694p., 2014